domingo, 27 de novembro de 2011

Pessoas Paisagem e Invisibilidade Pública

Ao procurar no dicionário o significado para “paisagem”, encontramos:

Paisagem: s.f. Extensão de território que se abrange num lance de vista; panorama, vista. (www.priberam.pt/dlpo)

Dessa maneira, é fato que os moradores de rua são parte integrante da paisagem urbana, a partir do momento que estão presentes nesse território de que fala a definição da palavra, e constituem uma realidade social, que na maioria das vezes é ignorada e renegada. Desse contexto surge o conceito “pessoas paisagem”, que expressa essa condição de indiferença a essas pessoas que tem a rua como seu único lar, e está diretamente ligado com a questão de “invisibilidade pública”, que seria o desaparecimento de um homem no meio de outros homens.


Essa indiferença de grande parte da sociedade em relação à essas pessoas em situação de rua está ligada a uma espécie de cegueira psicossocial, que leva a simplesmente suprimir pessoas do campo de visão, gerada pelo preconceito em relação à essa população que não possui um abrigo formal. Essa questão pode ser melhor entendida na fala do pesquisador Fernando Braga: “todo o mundo se sente invisível em algum momento da vida - numa festa de gente de outra tribo, no emprego novo em que não se conhece ninguém. Mas essas são outras invisibilidades, circunstanciais, e portanto passageiras, reversíveis. Mas a questão que estamos discutindo é sobre uma invisibilidade tão automatizada na sociedade que muitas vezes nem mesmo o ser invisível se dá conta de sua degradante situação. Se ele percebe, carece de armas para o combate. Depois de ser ignorado a vida inteira ou, no máximo, maltratado, ninguém anda de cabeça erguida.”.

Esses moradores de rua são constantemente estigmatizados por grande parte da sociedade. Segundo Márcia Accorsi Pereira: “Ao contrário dos moradores das favelas, que se encontram segregadas em seus territórios específicos, a população em situação de rua vive em espaços de uso dos segmentos médios e das elites da população, ocupando viadutos, por onde transitam os veículos particulares e coletivos, marquises de bancos e lojas, bairros residenciais, entre outros. Assim, a população se vê na contingência de conviver com essa face extremada de miséria. Isso causa diversos sentimentos, que vão desde a caridade até um desconforto contido ou incontido. Há sempre um incômodo.”. Dessa maneira, toda a sociedade é atingida por essa realidade social, de uma maneira ou de outra, porém parte da população utiliza da indiferença como meio de fuga, tratando essa situação como um pano de fundo que na maioria das vezes, inclusive, ignoram.

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(Por Camila Dayanne Lira)

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